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Fantástico Vulpes Vulpes

Sou fã de carteirinha do diretor americano Wes Anderson. Estive com ele em seus momentos mais difíceis desse passado recente:  'The French Dispatch' e 'Asteroid City'. Valeu a pena não perder a fé: os curtas da Netflix são um arraso. Adorei conhecer Henry Sugar. Por esse último, o mérito não é só do Wes. Convenhamos que Roald Dahl é um ótimo contador de histórias. Sim, falei de Dahl só pra poder fazer um gancho com minha história favorita por ele escrita: O Fantástico Sr. Raposo.

    Reassisti, ontem, um dos meus filmes favoritos, homônimo ao conto. Não vou me estender falando sobre as características da direção do Wes que se repetem aqui. Também não falarei sobre minha admiração pelos stop motions, que dão um trabalho desgraçado pra fazer.

Como spoleia o título, quero falar sobre os animais selvagens desse filme. Poderia falar de outros pontos que me tocam, com a necessidade de ser fantástico ou o sentimento de querer sempre mais. Mas vou falar sobre o que me saltou aos olhos nessa última vez que assisti.

Antes de seguir, recomendo ao leitor que assista o filme. Veja O Fantástico Sr. Raposo! Caso o leitor, assim como o autor, não goste de saber o enredo do filme -nem que minimamente- antes de vê-lo, recomendo que volte mais tarde.

Raposo diz, no filme, que ele é um animal selvagem, e que por isso não consegue se distanciar dos seus instintos mais naturais. Ele até convida os outros animais a se lembrarem de suas habilidades mais primitivas, citando os nomes de suas espécies, em latim.

Na minha terceira vez assistindo o filme, tenho de admitir, concluí que sou um animal selvagem. Posso até tentar fugir dos meus instintos mais naturais, mas não consigo, nem quero. 

Quem sou eu por natureza? É esse alguém que quero ser. Uma fabricação de mim é entediante, é avessa. Quero ser natureza, selvagem. Não me refiro ao sentido mais brutal da palavra, mas ao seu sentido mais sutil. Me refiro à não-domesticação, ao desenvolvimento natural.

Há uma dificuldade tremenda em ser o melhor eu. Às vezes até sinto que não tenho tempo de ser quem eu quero. Quem eu realmente quero. Mas vou tentar. Não vou comentar muito sobre essa dificuldade pois quero falar mais sobre isso em uma outra publicação futura.

Assim como o Sr. Raposo, da espécie Vulpes Vulpes, quero abraçar meu lado mais selvagem. Quero estar presente para aqueles que amo. Quero fazer o que me traz alegria. Quero fazer o que sou bom fazendo. Quero ser, como todos nós, Homo Sapiens. Quero ser o Fantástico Senhor Lucas.



    “You are, without a doubt, the five and a half most wonderful wild animals I’ve ever met in my life” - uma frase do Sr. Raposo

 


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