Estou em uma aula de Geometria Espacial. Sim, eu faço faculdade de matemática. E não é de hoje que uma frase do Stephen Fry descreve bem o que tenho sentido. “Oscar Wilde said that if you know what you want to be, then you inevitably become it - that is your punishment, but if you never know, then you can be anything. There is a truth to that. We are not nouns, we are verbs”. Tomo a liberdade de, nas próximas linhas, traduzir a frase para o português.
Quando era menor, via vídeos de ciência na internet. E eu tinha convicção de que seria cientista. Faria três faculdades: física, química e biologia. Nessa ordem, arbitrária.
Esqueci rapidamente da minha grande vocação quando integrei o time de robótica da escola onde estudava. Era certo de que eu havia nascido para ser engenheiro. Projetar robôs. Logo deixei de projetar os robôs. Passei a programá-los. Ganhamos um prêmio de melhor programação em um torneio regional. Minha programação. Batata. Minha carreira se abria na minha frente, fazendo brilhar meus olhos.
Fica fácil decidir o curso técnico que faria: eletrônica. Vou longe. Vou encontrar minha turma. Não fui longe. Não encontrei minha turma. Decidi, ao fim do meu ensino médio, ingressar o curso de licenciatura em matemática em uma boa universidade. Nasci para ser professor, pesquisador.
Adivinhe só? Já não tenho mais tanta certeza. Ouço um homem careca falando sobre arestas, alturas, centros, volumes. E não me interesso. Foi há pouco tempo que concluí: não sei o que quero ser. E que bom! Não quero saber, não posso saber. Se souber, estarei fadado àquilo. Me coloco livre para ser o que eu quiser.
Quero escrever. Quero ensinar. Quero programar. Quero dirigir filmes. Quero contar boas histórias. Não sei cantar, mas quero. Não sei pra onde, mas quero viajar. Quero assistir. Quero dançar. Quero amar. Quero conversar. Quero descobrir. E nem sei o que quererei amanhã. E começo a fazer as pazes com isso. Flamula uma bandeira branca na guerra pela descoberta do meu substantivo. Serei o que faço. Serei verbo.
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