Como bem disse Demi Moore, a cena de Harvey, personagem vivido -ao máximo- por Dennis Quaid, comendo camarão é, de longe, a cena mais violenta do filme. A película conduzida por Coralie Fargeat é viceral. Em cada close da fotografia, com cada som atenuado, cada ruído presente, sente-se a violência. Coralie Fargeat é capaz de criar um mundo ficcional que se relaciona assustadoramente com o que observamos dia a dia nas telas do nosso mundo. Com cores vibrantes, o mundo de The Substance salta aos olhos. Elizabeth Sparkle se impõe essa violência, que demanda uma frieza da mais absoluta ordem. Quase que sem hesitar, a personagem busca ser o corpo ideal. Corpo esse, determinado por um charuto ambulante batizado Harvey. Elizabeth se permite perder o controle de si própria pra encontrar os padrões estabelecidos por uma indústria masculina. Demi Moore é capaz de colocar cada uma dessas nuances em tela. Demi Moore nos permite ver o calor escondido pela frieza de Elizabeth. Demi Moore é ...
E stou em uma aula de Geometria Espacial. Sim, eu faço faculdade de matemática. E não é de hoje que uma frase do Stephen Fry descreve bem o que tenho sentido. “Oscar Wilde said that if you know what you want to be, then you inevitably become it - that is your punishment, but if you never know, then you can be anything. There is a truth to that. We are not nouns, we are verbs”. Tomo a liberdade de, nas próximas linhas, traduzir a frase para o português. Quando era menor, via vídeos de ciência na internet. E eu tinha convicção de que seria cientista. Faria três faculdades: física, química e biologia. Nessa ordem, arbitrária. Esqueci rapidamente da minha grande vocação quando integrei o time de robótica da escola onde estudava. Era certo de que eu havia nascido para ser engenheiro. Projetar robôs. Logo deixei de projetar os robôs. Passei a programá-los. Ganhamos um prêmio de melhor programação em um torneio regional. Minha programação. Batata. Minha carreira se abria na minha frente,...